A apse da depressão

O ano era 2007. Havia casado a um ano e minha esposa, ao contrário de outras pessoas da família, me dava o que eu hoje chamo de ''força certa". Ela entendia o que eu passava e não me rotulava de nada, apenas me apoiava. Não havia cobranças. Comecei então a me comportar como um bebezinho mimado e inseguro. Me lamentava o tempo inteiro da minha situação. As vezes tinha rompantes de ira com minha esposa. Justo ela, a única pessoa que estava de fato tentando me ajudar. Os anti-depressivos não fizeram o efeito que eu esperava. Aquilo me deixava mais down ainda. O que mais poderia fazer para não ter mais aqueles sentimentos tão ruins? Paralelamente a isso, resolvi, outra vez, dar outro caminho a minha vida profissional. Saí do meu emprego para tentar montar um negócio próprio com mais três sócios. Foi aí que levei um duro golpe. Investi tudo que tinha e não consegui ao longo de seis meses, nenhum centavo de retorno. Apenas promessas de negócios mas nada se concretizava. A situação financeira estava de mal a pior. Fazia empréstimos sucessivos para tentar não deixar meu nome ser negativado. As brigas com os sócios eram frequentes. Resolveu-se então por fim à empresa. Numa última tentativa, abri uma loja de conveniência em um posto de gasolina. Meu sogro me adiantou um dinheiro para o estoque. Começamos vendendo bem porém os lucros eram para honrar a compra da loja. O excesso de burocracia e o dinheiro curto me impediam de regularizar a situação fiscal da loja rapidamente. Resultado: a fiscalização foi até lá e me confiscou todo o estoque. Era o fim pra mim...

Comecei a ruir financeiramente. As dívidas se acumulavam e eu não tinha mais da onde tirar dinheiro. O Banco me levou o carro. Meus telefones não paravam de tocar. Cobranças e mais cobranças. Meu nome foi negativado. Não via mais saída.

Nesta época minha esposa viajava muito a trabalho e, sempre preocupada e sabedora de minha depressão, ligava constantemente para saber notícias. Em um desses dias acordei e simplesmente não quis me levantar da cama pra nada. Meu padrão vibratório era o pior possível. Pensamentos suicidas passaram a ser recorrentes. O dia foi passando, os telefones tocando e eu sem querer atender ninguém. Meio dia e eu na cama. Quatro horas da tarde e eu continuava na cama. A essa altura todos me ligavam e eu não atendia ninguém. Não havia sequer saído do quarto. Oito da noite. Pedi a Deus que me desse forças para, pelo menos sair da cama. Ele me atendeu. Levantei, o telefone tocou. Era minha esposa. Ela estava no Acre. Desesperada! Chorava copiosamente com medo que eu tivesse cometido alguma loucura. Minha mãe estava também do mesmo jeito. Foi aí que percebi que precisava fazer alguma coisa pra me salvar. Essas pessoas não mereciam passar por isso. Principalmente eu...