A descoberta e o preconceito
A sensação era de total impotência diante dos fatos que aconteciam a minha volta. Era como se estivesse com cãibra mental. Não havia forças para buscar as mínimas reações. Situações rotineiras passaram a ser problemas insuperáveis. As forças iam se exaurindo e nada que tentasse contra aquilo surtia o menor efeito. Me tornei uma pessoa negativa e apática. As pessoas ao meu redor não compreendiam o que acontecia comigo. Nem mesmo eu compreendia. De repente passei a não sentir mais vontade nem de me levantar da cama. Procurava alguém pra comentar o problema e pedir ajuda e o que recebia em troca, na maioria dos casos e da maioria das pessoas, eram frases do tipo: "Vamos lá! Levanta essa cabeça, você não tem motivos pra ficar assim!" Daí passavam a enumerar as coisas que eu tinha, do tipo: "ah você tem saúde, tem família, tem casa, tem carro, tem emprego..." enfim... Acabava embarcando nessas "teorias" sem perceber que isso me fazia sentir ainda mais culpado por estar achando ruim uma vida rodeada de coisas boas. A partir dessa culpa me fechava, na esperança que pudesse ser algo passageiro, mas não era. Então comecei a buscar os motivos pelos quais sentia isso. E o eleito foi o emprego. Era bancário. Trabalhava demais, ganhava pouco então resolvi que precisava mudar de ares. Ledo engano. A mudança de ambiente me trouxe mais problemas e dificuldades. Difícil adaptação, enorme pressão por resultados e tudo isso aliado ao péssimo momento pessoal, acabaram minando de vez o restante de força que havia. Os problemas no trabalho passaram a ser recorrentes. Colegas sempre achavam que fazia corpo mole. Familiares já me rotulavam de "mole", "sem força de vontade" adorando bradar seus próprios feitos de superação em situações que enfrentaram dificuldades. Em suma, sofria com meus sentimentos e com o preconceito da maioria das pessoas com quem convivia.
Foi aí que percebi que algo não estava bem. Apresentava sinais de apatia. Pensar em ir trabalhar me deixava em pânico. Queria me esconder de tudo e de todos. Alteranava momentos de profunda tristeza com grande euforia. Meu coração disparava sem o menor motivo aparente. Minhas mãos suavam o tempo inteiro. Parecia que algo de muito ruim ia acontecer a qualquer momento.
Minha esposa, psicóloga, atenta aos meus sintomas me falou pela primeira vez: "Acho que você está com depressão" Ela me levou a um psquiatra que ao me fazer algumas perguntar, constatou o que minha esposa desconfiava. Ele me receitou anti-depressivos. Começava ali uma fase nova em minha vida.